Fundação Iberê Camargo | 2008

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Fundação Iberê Camargo

Porto Alegre

O trabalho projetado para a Fundação Iberê Camargo, belíssimo projeto de Álvaro Sisa, pede uma harmonia de formas e, assim, de sistemas estruturais que, dando a ver as características arquitetônicas do prédio, não impeçam o contemplar das obras expostas.

Daí, a transparência das chapas de policarbonato em torções radicais que se projetam no espaço vigoroso do átrio, tensionadas por assertivas linhas de aço. O diâmetro dos tubos de aço, sua extensão e resistência são calculados a partir da convicção firme de que cada forma plena e precisa responde a um cálculo estrutural correto. Este duplo acerto resulta da experiência conquistada pelo próprio trabalho através dos anos.

No sistema implantado nesta obra, as curvas e torções se operam nas longas chapas de policarbonato (6 x 2 m x 3 mm) e não nos tubos (entre 18 e 21 m de comprimento cada) como ocorrera em trabalhos anteriores. Aqui, os tubos retos afirmam a precisão do gesto, conferindo-lhes velocidade e direção.

Cruzam o espaço do átrio com seus 25m de altura por 16m de largura, de maneira desarticulada, de tal modo que as linhas ativam o espaço sem fragmentá-lo. Tensionam com seus deslocamentos a estrutura arquitetônica de modo singular. Guardam, com os volumes transparentes e suas superfícies refletoras, alguns vazios-lugares ausentes de matéria e de forma, mas plenos da presença poética do espaço. Cada volume constrói uma torção própria, adequada ao lugar que ocupa nesta articulação no espaço. Para isto, cada local de perfuração da chapa é determinante, assim como seu posicionamento no tubo de aço.

As linhas são assertivas, finas e longas. Não podem fletir. Prendem-se nas paredes das 3 rampas e nas colunas das galerias situadas a 2m do átrio por chapas de aço. Os locais de fixação na arquitetura do prédio foram definidos com o responsável pela construção do museu, engenheiro Canal, e todo o sistema obteve posteriormente o aval do calculista consultado, engenheiro Solón Magrisso. Assim, preservou-se a integridade estrutural e plástica do projeto de Álvaro Sisa e potencializou-se a linguagem do trabalho pelos numerosos desafios estéticos e operacionais enfrentados nesta instalação. Transparência, movimento, velocidade e deslocamento, questões próprias do trabalho desde os filmes e fotos dos anos 70, se articulam neste projeto de maneira diferenciada pelo confronto com uma arquitetura exemplar.

English

The work planned for the Iberê Camargo Foundation, beautifully designed by Álvaro Siza, demanded a harmony of forms and therefore required structural systems which allow the architectural features of the building to be seen and do not obstruct the view of works on display.

This led to a choice of transparent polycarbonate sheets, radically twisted to project into the atrium space, tensioned by powerful lines of steel. The diameter, length, and resistance of the steel tubes are calculated in a strong conviction that each complete and precise shape is determined by the correct structural calculation. This dual sense arises out of experience gained through the work itself over the years.

In the system used for this work, the curves and twists are applied to the long polycarbonate sheets (6 x 2 m x 3 mm) and not to the tubes (each between 18 and 21 m long), as in previous works. Here, the straight tubes affirm the accuracy of gesture, conveying speed and direction.

Disjointedly traversing the 25-meter-high, 16-meter-wide atrium space in such a way that the lines activate the space without fragmenting it, their dislocations endow the architectural structure with a very particular tension. With their transparent volume and reflective surfaces, they encompass empty places, absent of matter and form but filled with the poetic presence of the space. Each volume constructs its own twist, appropriate to the place it occupies in this articulation of space. The location of each hole in the sheet is, therefore, a determining factor, together with its positioning on the steel tube.

The lines are thin, long and assertive. They cannot bend and are fixed by steel plates to the walls of the three ramps and the gallery columns two meters from the atrium. The fixing positions on the architecture of the building were determined with the construction engineer responsible for the museum, Mr Canal, and the whole system was later approved by the consultant calculator, Solón Magrisso. The structural and visual integrity of Álvaro Siza’s design has thus been preserved and the numerous aesthetic and operational challenges faced in this installation have brought force to the language of the work.

Transparency, movement, velocity and displacement, issues in the work since the films and photos of the 1970s, are distinctively articulated in this project through its encounter with the exemplary quality of the architecture.

Texto de / Text by Iole de Freitas

Extras

PDF: Catálogo da exposição » Exhibition catalogue

Video: Iole de Freitas fala sobre o trabalho da Fundação Iberê Camargo