Dora Maar na piscina | 1999

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Museu do Açude

Rio de Janeiro

A relação entre arquitetura e escultura passa a ser cada vez mais freqüente no trabalho de Iole de Freitas a partir de 1996, quando as telas metálicas são distribuídas diretamente no espaço de exposição, sem envolver estruturas.

Em 1999, instala no Museu do Açude, no Rio de Janeiro, a peça Dora Maar na Piscina com curadoria de Marcio Doctors. Utiliza materiais como tubos de aço inox e policarbonato que dão um novo aspecto à sua escultura.

A artista compõe formas sinuosas mais intensas e, portanto, que tentam atribuir nova dinâmica ao local onde estão instaladas. Para Doctors, “Iole de Freitas quer mostrar que é possível mudar o atributo das coisas. Que a visualidade existe nas artes plásticas, não para fazer visível, mas para aterar a percepção que  temos da presença da matéria, criando outras possibilidades de presença, outras imagens”. É o caso do trabalho do Museu do Açude, onde o projeto da instalação surge do confronto da arquitetura da piscina vazia com a contundência da floresta em torno. A obra projeta para o alto o desenho dos planos que constituem o fundo da piscina: os amplia, retorce, os faz flutuarem.

A obra realizada em 1999 no espaço de Instalações Permanentes do Museu do Açude foi destruída pelo desmoronamento do terreno causado pelos temporais de 2010. Um novo trabalho em aço inox e policarbonato verde jateado foi projetado e instalado em 2012 numa muralha de arrimo que sustentou o terreno. O trabalho se reinscreve no lugar, ancorado na resposta da engenharia humana ao vigor da natureza. Projetando-se no espaço, a partir da muralha, ele amplia sua potência de vôo e de permanência.

English

The relationship between architecture and sculpture has become increasingly frequent in the work of Iole de Freitas since 1996, when the metallic screens are distributed directly in the exhibition space, without involving structures.

In 1999, he installed in the Museu do Açude, in Rio de Janeiro, the piece Dora Maar na Piscina curated by Marcio Doctors. It uses materials such as stainless steel and polycarbonate tubes that give your sculpture a new look.

The artist composes sinuous forms more intense and, therefore, that try to assign new dynamics to the place where they are installed. For Doctors, “Iole de Freitas wants to show that it is possible to change the attribute of things. That visuality exists in the plastic arts, not to make visible, but to ground the perception we have of the presence of matter, creating other possibilities of presence, other images”. This is the case of the work of the Museu do Açude, where the project of the installation arises from the confrontation of the architecture of the empty pool with the forcefulness of the surrounding forest. The work projects to the top the drawing of the planes that constitute the bottom of the pool: it enlarges, twists, makes them float.

The work carried out in 1999 in the space of Permanent Installations of the Museu do Açude was destroyed by the collapse of the terrain caused by the storms of 2010. A new work in stainless steel and green blasted polycarbonate was designed and installed in 2012 in a support wall that supported the terrain. Work reinserts itself in place, anchored in the response of human engineering to the vigor of nature. Projecting itself in space, from the wall, it expands its power of flight and of permanence.