12 Documenta Kassel | 2007

Exposição coletiva
12 Documenta

Kassel

Embora se aposse do espaço, a obra de Iole de Freitas é visivelmente non-site-specific. Uma estrutura complexa de tubos de aço curvados, cuja evolução é acentuada por extensas chapas de policarbonato – ora transparentes, ora translúcidas –, ocupa uma das salas principais no primeiro andar do Fridericianum.

No lado sudoeste, os tubos de aço atravessam as paredes e se projetam em meandros ao longo da fachada, contornando a quina do prédio, para finalmente, no lado sudeste, retornarem à parte interna. A relação entre a instalação e o espaço que ela ocupa é um dos abstraimentos: o fluxo contínuo das linhas e da superfície não leva em conta a estrutura arquitetônica do prédio, mas, ao contrário, estabelece sua própria lógica dinâmica. Forma-se uma espécie de praça flutuante, com passagens para vaguear e refúgios para se recolher.

Se os trabalhos anteriores da artista resultaram diretamente do confronto com o próprio corpo, aqui ela emprega a concretização espacial de gestos e movimentos, para que eles sejam compreendidos coletivamente. Além disso, a linguagem formal de sua instalação apresenta um diálogo intenso com a tradição construtivista das vanguardas brasileira e russa, cujas arquiteturas utópicas se sobrepuseram à gravidade e reescreveram as leis da percepção.

Nesse sentido, Iole de Freitas também quer emprestar forma ao instante, já que a matéria converte-se no oposto de si mesma: aço e policarbonato deslocam-se no espaço com as mesmas ondulações que desenham torções e volumes, como vestígios do vento. Os eixos de movimento e de olhar assim surgidos, os campos de força e os entroncamentos deixam o observador tornar-se parte de um sistema de coordenadas multidimensional, com o qual a artista faz a arquitetura, o espaço, os visitantes e ela própria se relacionarem.

English

The fact that it owns the space notwithstanding, Iole de Freitas’s work is strikingly non-site-specific. A complex structure of curved steel tubes, its course accentuated by vast (occasionally transparent, occasionally translucent) sheets of polycarbonate, it occupies one of the main rooms on the first floor of the Museum Fridericianum.

The steel tubes pierce the walls of the Southwestern side and meander along the building’s façade, rounding a corner and finally returning back in from the Southeast. The relationship between the installation and the space it occupies is an abstraction, for the continuous flow of lines and surface does not take the building‘s architectural structure into account; rather, it establishes a dynamic logic of its own, engendering a sort of floating piazza with shelters and passages within which one may idle.

Whereas the artist’s previous works were the direct result of a confrontation with the body itself, she currently employs spatial concretizations of gesture and movement that they may be understood together. In addition to this, her formal vocabulary bears witness to an intensive dialogue with the constructivist tradition of the Brazilian and Russian vanguards, whose utopian architecture transcended gravity to rewrite the laws of perception.

In this sense, Iole de Freitas also shapes the moment in which her material becomes it opposite: steel and polycarbonate are displaced in space with the same undulations that design torsions and volumes, like memories of wind. Axes of movement and sight lines, force fields and junctions alike allow observers to become part of a multi-dimensional system of coordinates that interconnect architecture, space, visitors and artist.

Texto de / Text by Manuela Ammer

Extras

PDF: Catálogo da exposição » Exhibition catalogue

Video: Registro da sala de exposição