Biografia

Iole de Freitas nasce em Belo Horizonte (MG), em 1945. Aos seis anos, muda-se para o Rio de Janeiro. Estuda na Escola Superior de Desenho Industrial – Esdi, de 1964 a 1965. Vai para a Itália, em 1970, e vive por oito anos em Milão, onde trabalha como designer no Corporate Image Studio da Olivetti, sob a orientação do arquiteto Hans von Klier, de 1970 a 1971. Passa a desenvolver e expor seu trabalho em artes plásticas a partir de 1973.

No livro O desenho da fala,  disponível para download, você encontra uma envolvente conversa sobre a vida, influências e trajetória de um raciocínio plástico que resultou em esculturas monumentais e, ao mesmo tempo, improvavelmente leves, em diálogo constante com a arquitetura. Invenções de uma artista que enfrentou desafios e ampliou um campo de trabalho único na arte contemporânea brasileira.

1973 – 1981

A linguagem do trabalho se constitui com o suporte de sequências fotográficas, filmes experimentais e instalações, apoiados por textos. Vindo a artista de uma experiência de dezoito anos de dança contemporânea, o corpo surge como um elemento estruturador do trabalho, que aparece espelhado, refletido e fragmentado, tangendo questões relacionadas com a identidade feminina e com a organização da imagem do próprio corpo. As performances, realizadas sempre individualmente, nunca na presença de espectadores, são registradas pela própria artista, num circuito fechado onde corpo, câmara e imagem refletida constroem a estrutura da obra.

1973 Apresenta seus primeiros filmes experimentais Light work e Elements, na Galleria Diagramma, Milão. Faz a curadoria da exposição Fotolinguagem, com obras de Christian Boltansky, Annete Messager, Duane Michaels, entre outros, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

1975 Integra a IX Bienal de Paris com instalação e sequência fotográfica da série Glass pieces, life slices, a convite do crítico Tommaso Trini. Participa, como artista residente, do Festival of Expanded Media, em Belgrado. Em Milão, expõe nas mostras La fotografia come strumento per l´artista, na Galleria Il Milione; e Campo Dieci, na Galleria Diagramma, Milão

1978 Realiza instalação e performance intitulada Exit, no Studio Marconi, Milão. Participa de Arte e cinema, com curadoria de Vittorio Fagone, na Bienal de Veneza. Retorna ao Brasil, e Raquel Arnaud organiza exposição de suas obras dos anos 70 (vídeo, filmes, sequências fotográficas), na Galeria Arte Global, São Paulo

1981 Participa da 16ª Bienal Internacional de São Paulo, apresentando a instalação Glass pieces, life slices, em que imagens do corpo são fragmentadas no espaço e na superfície das lâminas de vidro emulsionadas

1983 – 1994

O corpo não aparece mais como mediador do trabalho, mas se substitui pelo próprio gesto, que arma e costura, com telas e fios, os volumes vazados que se desdobram e passam a constituir as novas obras: o corpo da escultura. As questões escultóricas, gravidade, peso e leveza, que ora emergem revelam a poética da obra por meio da fragmentação, transparência e elogio da superfície.

1984 Realiza, na Galeria Arco, em São Paulo, exposição individual de esculturas intituladas Aramões, em cujo catálogo tem o texto “Eu não sei”, de Paulo Sergio Duarte. Participa de Tradição e ruptura, a convite de Walter Zanini, na Fundação Bienal de São Paulo. Expõe esculturas e sequências fotográficas na Gallerie Grita Insam, Viena

1986 Recebe a Bolsa Fulbright-Capes para pesquisa no Museum of Modern Art (MoMA), Nova Iorque

1988 Realiza exposição individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo. O catálogo apresenta o texto “Fluidos concretos”, de Ronaldo Brito. Integra a mostra Panorama de escultura, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP)

1991 A partir de 1991 algumas esculturas são projetadas para locais específicos como a Capela do Morumbi, São Paulo; o Galpão Embra, em Belo Horizonte; e o Banco do Brasil, em São Paulo. Nesses trabalhos, as questões já elaboradas na obra dialogam com os elementos arquitetônicos do espaço dado

1992 Realiza exposição individual no Paço Imperial. O catálogo da mostra apresenta o texto “Inquietude do infinito”, de Paulo Venancio Filho. Apresenta exposição individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo

1993 É convidada como artista residente pela Winnipeg Art Gallery, Canadá, para realizar escultura de grande porte para a mostra Cartographies: 14 Latin American artists, com curadoria de Ivo Mesquita. Essa exposição itinera, até 1995, por outros cinco museus: Biblioteca Luis Angel Arango, Bogotá; Museo de Artes Visuales Alejandro Otero, Caracas; National Gallery of Canadá, Ottawa; The Bronx Museum of Arts, Nova Iorque; e La Caixa, Madri. Expõe na Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro

1995 – 1997

As esculturas desenvolvidas nesse período tornam-se fluidas, imateriais. As formas se dissolvem no espaço. Pedras semitransparentes passam a conter inscrições: “nome líquido”, “escrito na água”. O trabalho se amplia no espaço, se solta das paredes, determina territórios.

1995 Realiza exposição individual no Museu Nacional de Belas-Artes, apresentando oito trabalhos da série Teto do chão e participa do projeto Ateliê Finep, no Paço Imperial, ambos no Rio de Janeiro

1996 Integra a mostra Entretelas, no Museo Alejandro Otero, Caracas, junto com Beatriz Milhazes e Eliane Duarte, com texto de Paulo Herkenhoff e Ruth Auerbach. Apresenta a instalação Corpo sem órgãos, na mostra Utopia, na Casa das Rosas, São Paulo. Participa da Bienal Rio, no Museu de Arte Moderna, integrando a exposição Transparências

1997 Expõe na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Rio de Janeiro e realiza individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo. Paulo Venancio Filho realiza a curadoria da retrospectiva O corpo da escultura: a obra de Iole de Freitas 1972-1997, no MAM-SP e no Paço Imperial, Rio de Janeiro. Uma de suas esculturas da série Transparências, apresentada nessa mostra, é doada pela AT&T ao MAM-SP

1998 – 2000

A obra busca uma ativação específica do espaço que elege, nele instalando planos e linhas retorcidos que, imantando o ar, imprimem velocidade ao percurso.

1998 Participa da 24ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal de São Paulo; “Espelho da Bienal”, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói; e do I Prêmio Johnnie Walker, no Museu de Arte Moderna, MéxicoParticipa da 24ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal de São Paulo; Espelho da Bienal, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói; e do I Prêmio Johnnie Walker, no Museu de Arte Moderna, México

1999 Apresenta Território vazado, no Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte; individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo; e a instalação Dora Maar na piscina, no Espaço de Instalações Permanentes do Museu do Açude, Rio de Janeiro

2001 – 2014

O trabalho busca uma relação de tensão e potência com os espaços arquitetônicos dos museus e centros culturais. Por vezes, seus trabalhos rompem fisicamente as paredes dos museus projetando-se para o exterior, nas fachadas, questionando a territorialização da arte.

2000 Realiza, no Centro de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, com curadoria de Sônia Salzstein, exposição, na qual apresenta obra projetada especialmente para aquele espaço e arquitetura, interligando salas e envolvendo a fachada. Participa da mostra Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, na Fundação Bienal de São Paulo

2001 Participa das mostras Experiment/Experiência, no Museu de Arte Moderna de Oxford, e O espírito de nossa época – Coleção Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz, no MAM-SP

2005 No Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, apresenta exposição com curadoria de Sônia Salzstein. Projetada para o local, ocupa as quatro salas do segundo andar da instituição com as obras Estudo para superfície e linha e Estudo para volume e flecha. Participa da 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, com curadoria de Paulo Sergio Duarte, na qual apresenta uma grande instalação intitulada Estudo de superfície e linha

2007 Participa da Documenta 12, com curadoria de Roger M. Buergel e Ruth Noack, no Museu Fridericianum, Kassel. Apresenta instalação que ocupa o segundo andar do museu e se desenvolve até a área externa, suspensa, em torno da área frontal e lateral da fachada. Também realiza exposição na Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, e no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, São Paulo, além de participar da mostra Puntos de vista – Coleção Daros, no Museu de Arte de Bochum

2008 Apresenta, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, obra de grandes dimensões projetada para o átrio do prédio, que tem projeto de Álvaro Siza. O catálogo da mostra apresenta texto de Sônia Salzstein

2009 No Rio de Janeiro, realiza site specific para a Casa França-Brasil, e também expõe na Galeria Laura Marsiaj

2010 Expõe uma grande instalação no átrio do prédio da Pinacoteca do Estado de São Paulo. No catálogo da mostra é apresentada entrevista com Paulo Sergio Duarte, Paulo Venancio Filho e Sônia Salzstein. Participa da exposição O desejo da forma, com curadoria de Luiz Camillo Osorio e Robert Kudielka, na Akademie der Künste, Berlim

2013 Participa da inauguração da Casa Daros com a instalação intitulada Para que servem as paredes do museu

2015 – 2018

A obra começa a se desdobrar em chapas de aço inox de grande formato que, submetidas a fortes torsões e curvaturas, são tensionadas no ar, nos espaços dos museus, questionando os conceitos de peso e leveza. Estas investigações se adensam, construindo dobraduras curvas em aço e papel.

2015 Realiza a exposição O peso de cada um, com curadoria de Ligia Canongia, no MAM-RJ, com obra projetada especialmente para o Espaço Monumental do museu

2016 Realiza exposição na Galeria Roberto Alban, Salvador. Instalação permanente na Villa Aymoré/Jacarandá, Rio de Janeiro. Participa da exposição Os muitos e o um : Arte Contemporânea Brasileira , Coleção Andréa e José Olympio Pereira no Instituto Tomie Otake, São Paulo

2017 Participa da “Exposição Comemorativa dos 20 anos do IAC”, com curadoria de Jacopo Viconti no Instituto de Arte Contemporânea, São Paulo. Realiza a exposição Dobradura Curva na Galeria Raquel Arnaud, São Paulo e faz a instalação permanente Dora Maar e o Sonho para a Coleção Andréa e José Olympio Pereira